sexta-feira, 26 de julho de 2013

Decy Graffiti

Arte: Decy Foto: Ailton Sousa

Todos os dias, a caminho da UFG, deparava-me com o graffiti acima. Esse sorriso alegrava minhas manhãs, por mais carrancudo que eu tivesse acordado. Esses olhos fechados pareciam sonhar com um mundo menos frio, menos violento, menos desigual - mais feliz. Uma cena tão impactante, gravada em uma parede em ruínas, numa calçada de terra batida, num cruzamento anônimo de Goiânia.

Procurei pelo autor do graffiti nas redondezas, mas sem sucesso. Numa busca por "Decy" no Facebook, entretanto, tive a grata surpresa de encontrar muitas outras obras desse profícuo artista goiano. Sozinho ou em parceria com André Morbeck, Decy tem contribuído para a revitalização de várias áreas ou elementos urbanos esquecidos ou que passam desapercebidos da maioria da população goianiense. Quando você menos espera, num passeio pela cidade, uma de suas obras certamente irá lhe saltar aos olhos.

Arte: Decy Foto: www.facebook.com/decy.graffiti

Sempre impactantes, trazendo o realismo das grandes cidades, o negro, o índio, o imaginário, o fantástico, as obras de Decy dão vida às ruínas, becos, praças e quadros telefônicos da cidade. Quando o contactamos pelo Facebook, Decy pediu que entrássemos em contato com ele por telefone. Combinamos um encontro no "bacião" - assim foi apelidada uma das misteriosas (e esquecidas) praças do Setor Sul. Uma quadra esportiva e uma extensa área verde abandonadas.

No caminho até o "bacião", a ação de pichadores é marcante. Raros são os muros que não estão pichados. Vandalismo ou descaso das autoridades? Busca por identidade? Falta de oportunidades? São perguntas difíceis de responder. Entretanto, o contraste entre as pichações do caminho e as obras de arte do "bacião" é avassalador. Decy e Morbeck fizeram do "bacião" uma galeria de arte a céu aberto. Boa parte das fotos que lá tiramos estão expostas nos posts que se seguem.

Arte: Decy Foto: Ailton Sousa
Enquanto esperávamos por Decy, contemplávamos algumas de suas obras em parceria com Morbeck. Uma coruja que pairava pela quadra de esportes era nossa única companheira. Mais tarde, um cachorro sem dono veio fazer-nos companhia. Encontramos um ou outro morador da região, sempre apressados, sempre de passagem. Trabalhadores de uma construção próxima também por ali passaram, mas sem muitas delongas. Talvez as obras de Decy e Morbeck já sejam parte de seu cotidiano, tanto que passam aparentemente despercebidas. Talvez.

Ao encontramos com Decy, ele comentou que tinha um trabalho a fazer, não tão distante dali. Ele trabalha com letreiros e outros serviços particulares - este é seu ganha-pão. Adentrou o mundo do graffiti para não deixar só o filho, que então completava 13 anos. Auto-didata, "eterno aprendiz", Decy mostra com orgulho suas gravuras. Ele disse que cerca de 20% dos muros do "bacião" já estão pintados. Os demais 80% serão transformados com o tempo. Um trabalho voluntário, ou melhor, um hobby, às vezes patrocinado por alguns moradores. Na nossa opinião, um belo trabalho, não só artístico, mas de revitalização de uma praça esquecida pelas autoridades.

Arte: Decy Foto: www.facebook.com/decy.graffiti
Os textos a seguir foram inspirados em obras que vimos no "bacião" ou na página do Decy no Facebook. Elas fazem uma relação entre a obra de Decy/Morbeck e a matéria que estudamos na disciplina de Cultura Brasileira I. Convidamos todos à reflexão, seja pela leitura dos textos, seja apreciando as imagens. Para mais detalhes sobre a arte do Decy ou sobre como chegar até o "bacião", entre em contato com algum dos integrantes do nosso grupo. Esperamos que gostem do trabalho que desenvolvemos. Ótimas férias a todos!

Arte: Decy Foto: www.facebook.com/decy.graffiti

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