Mostrando postagens com marcador Filosofia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filosofia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Filosofia - Aula #

Início da terceira parte do curso: o filme como meio de reflexão filosófica - associações de gêneros cinematográficos e filosofia. Tema de hoje: Hegel e o Western.

Primeira parte da aula: breve apresentação de um artigo sobre o tema, disponível em www.inquietude.org. Segunda parte da aula: filme "Matar ou Morrer" (título original: "High Noon"; ano: 1952).

quinta-feira, 27 de junho de 2013

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Filosofia - Aula #

A professora Carla Milani fez uma exposição sobre subjetividade, percepção, modernidade e técnica.

Subjetividade seria a capacidade que cada indivíduo tem de pensar por si mesmo, de refletir. "Na teoria do conhecimento, a subjetividade é o conjunto de ideias, significados e emoções que, por serem baseados no ponto de vista do sujeito, são influenciados por seus interesses e desejos particulares. Tem como oposto a objetividade, que se baseia em um ponto de vista intersubjetivo, isto é, que pode ser verificável por diferentes sujeitos." Essa capacidade de reflexão, dependendo do contexto, pode levar o indivíduo a um quadro de ação-reação ou mesmo de automação, como no caso do filme "Tempos Modernos", de Chaplin.

Percepção seria a função cerebral responsável por atribuir sentido às informações/estímulos sensoriais, isto é, advindos dos sentidos (visão, audição, tato, paladar e olfato). Fala-se ainda em percepção temporal (passagem do tempo), espacial (tamanho e distância entre objetos) e propriocepção (capacidade de reconhecer a localização espacial do corpo, sua orientação, força exercida pelos músculos, posição de cada parte do corpo em relação às demais). Nossa capacidade de percepção estaria sujeita, por exemplo, à influência temporal (idade do indivíduo). Entretanto, o foco da aula foi sobre a influência da técnica sobre a percepção dos indivíduos e, consequentemente, sobre o exercício de sua subjetividade.

Técnica, considerando o contexto da aula, seria um conceito muito próximo ou mesmo coincidente com o conceito de tecnologia, isto é, um conjunto de procedimentos sistematizados produzindo um determinado resultado. A técnica enfatizada pela professora foi a que levou ao surgimento do cinema, ou seja, à projeção de imagens (fotografias) consecutivas a uma velocidade específica (18 quadros/segundo ou 24 quadros/segundo), dando a ideia de movimento, num registro da realidade até então nunca experimentado/percebido pelo homem. Tal técnica data do fim do século XIX (1895), tendo sido aperfeiçoada desde então, principalmente durante o século XX (do cinema documental-jornalístico, mudo e preto-e-branco às "modernas" películas dos dias atuais).

Modernidade ou Idade Moderna corresponderia ao período histórico usualmente compreendido entre a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos em 1453 e a Revolução Francesa de 1789, a partir da qual passa-se a falar em Idade Contemporânea ou pós-Moderna. No campo da Filosofia, há quem faça uma espécie de fusão dos dois períodos, contrastando as formas de percepção e de exercício da subjetividade da Idade Média (ou "Idade das Trevas") com as da Modernidade (ou "Idade das Luzes"), estas últimas notadamente influenciadas pelos ideais renascentistas, iluministas, humanistas. O homem ganha o centro do processo de percepção, subjetividade e aquisição de conhecimento (espistemologia). A compreensão de mundo deixa de ser teocêntrica e passa a ser antropocêntrica. A fé dá lugar à razão.

Dessa forma, o mundo dito "contemporâneo" ainda encontra-se sob a influência das ideias cartesianas (René Descartes), nascidas no mundo dito "moderno". Ainda fazemos separação entre corpo e mente ("penso, logo, existo", fundação da Filosofia moderna, do "Eu" pensante), nossa medicina ainda possui um enfoque sintomático e predominantemente voltada à compreensão do corpo e seus potenciais antígenos, em detrimento da mente como potencial causadora de patologias. Daí a divisão entre Medicina e Psicologia, entre o que é "medicina tradicional" e "medicina alternativa". Note que estamos falando de concepções próprias do mundo ocidental: as concepções orientais e a própria medicina oriental correm marginalmente no Ocidente, enquanto alternativas, sem o status próprio de ciência.

A compreensão da natureza pela ciência (ciências naturais) está amplamente imersa em concepções galileanas (Galileu Galilei) ou newtonianas (Isaac Newton), ambos pensadores/cientistas modernos. Somente no século XX, por meio dos estudos de Einstein, Bohr e outros, a mecânica clássica/newtoniana é posta em xeque, dando lugar à mecânica quântica. Ainda assim, a mecânica quântica tem um campo de estudo bem definido: o mundo sub-atômico. Para os demais fenômenos naturais, continuam válidas as concepções modernas de Galileu e Newton. Além disso, o método científico lógico-indutivo da era Moderna continua sendo amplamente aceito e válido, em contraposição ao lógico-dedutivo de Aristóteles.

O método cientifico ainda é o mesmo proposto por Francis Bacon, considerado o pai da ciência moderna, por ter lançado as bases do empiricismo, da experimentação, da observação e da razão teórica. Nosso direito e política ainda encontram elementos da discussão sobre natureza humana e Estado propostos por Hobbes ("o homem é o lobo do homem"; Estado como o grande "Leviatã"), Locke (o homem como uma "folha de papel em branco", sujeito ao empiricismo, à aquisição de conhecimento via seus sentidos; pai do liberalismo clássico) e Rousseau ("o homem é bom, a sociedade o corrompe"; teoria do contrato social), este último tendo inspirado (mas não incitado, já que morre onze anos antes, em meados de 1778) a Revolução Francesa de 1789.

Esse período/movimento da história moderna em que houve uma sistematização teórico-científica dos ideais e evoluções técnico-epistemológicas (isto é, na forma de compreender o mundo) iniciadas no Renascimento ficou conhecido como Iluminismo. Trata-se de um movimento de "trazer à luz" da razão temas que ficavam "à sombra" da fé inconteste. Daí o antagonismo "Idade das Trevas" (Idade Média) vs. "Idade das Luzes" (Idade Moderna). Renascimento (séculox XIV, XV, XVI), Revolução Protestante (século XVI) e Iluminismo (séculos XVII, XVIII): passa-se da dependência à autonomia no processo de aquisição do conhecimento. Fala-se em "esclarecimento" (do alemão Aufklärung), o homem deixando a sua menoridade (Kant), isto é, a sua "infância epistemológia": o homem passa a pensar por si, a exercer sua subjetividade via sua percepção da realidade objetiva, sem a necessidade de direção de outros. O homem é conclamado ao "Sapere aude!", isto é, ao "Ouse saber!" - tenha coragem de pensar/saber por si mesmo.

Já no século XVIII, sobre a ideia moderna de saber/razão, segundo Marilena Chauí, Hegel sugere: 1) a autonomia da Filosofia no processo de subjetivação, não dependendo ou se submetendo a dogmatismos ideológicos, sejam eles religiosos ou de outras ordens, tais como a política; 2) a tomada de "consciência da consciência", isto é, a reflexão sobre o ato de ser consciente; 3) direitos iguais e universais ao pensamento e à verdade. A dialética de Hegel, um idealista, inspirará o materialismo histórico-dialético de Marx. A dialética de Hegel e, sobretudo, a de Marx, traduzem bem as influências ou trocas mútuas/recíprocas realizadas entre a realidade objetiva e o pensamento subjetivo dos filósofos nela inseridos.

Também no século XVIII, Kant, por sua vez, após suas duas primeiras críticas ("Crítica da Razão Pura", de 1781; "Crítica da Razão Prática", de 1788), introduz a ideia de "gosto" ou estética, em sua "Crítica do Julgamento" (1790). Trata-se do "gosto" mental, subjetivo, em contraste com o "gosto" ao qual estamos acostumados, associado ao paladar, físico, objetivo. Diz-se que "gosto não se discute", mas, para Kant, gosto se discute, sim! Não só se discute, como se vai além: depois de admitir "eu gosto disso", o sujeito usaria sua percepção para entender "por que eu gosto disso?". Fala-se em "refinamento" da ideia de gosto quando o sujeito/indivíduo: 1) dispõe-se a comparar e refletir sobre o valor estético atribuído à parte do mundo objetivo a que se refere ao afirmar "eu gosto disso"; 2) dispõe-se à reflexão abandonando seus pré-conceitos; 3) dispõe de sua inspiração e criatividade na análise.

Apesar de ser favorável à discussão sobre o "gosto", sobre o que é ou deixa de ser "belo", Kant contesta o resultado da análise subjetiva como sendo dotado de "certa" ou "alguma" universalidade, mas não uma total universalidade. "A universalidade do juízo estético é detectada por envolver um exercício persuasivo de convencimento de outro sujeito que aquela determinada forma da natureza ou da arte é bela. E, dessa forma, torna aquele valor universal. Os sujeitos têm em comum um princípio de avaliação moral livre que determina a avaliação estética e, portanto, julga o belo como universal."

Estética (do grego, aisthesis) tem, em seu significado original, a ideia de percepção, de sensação ou "percepção pelos sentidos".  O juízo estético está ligado à capacidade de imaginação e à criatividade, contrapondo-se ao juízo lógico/prático enquanto processo de apreensão do belo em uma obra de arte. A estética surge como disciplina filosófica em 1750, por meio de Baumgarten, e é a base do estudo do cinema/filme como meio de reflexão/subjetivação realizada, entre outros, por Joseph Früchtl. Com o Sistema do Idealismo Transcendental de Schelling (1800), a arte torna-se objeto de estudo privilegiado da Estética, ou seja, a Estética tornou-se a filosofia da arte.

Walter Benjamin, integrante da chamada Escola de Frankfurt, contribui com os estudos da estética em "A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica".
"O ponto central desse estudo encontra-se na análise das causas e consequências da destruição da 'aura' que envolve as obras de arte, enquanto objetos individualizados e únicos. Com o progresso das técnicas de reprodução, sobretudo do cinema, a aura, dissolvendo-se nas várias reproduções do original, destituiria a obra de arte de seu status de raridade. Para Benjamin, a partir do momento em que a obra fica excluída da atmosfera aristocrática e religiosa, que fazem dela uma coisa para poucos e um objeto de culto, a dissolução da aura atinge dimensões sociais. Essas dimensões seriam resultantes da estreita relação existente entre as transformações técnicas da sociedade e as modificações da percepção estética. A perda da aura e as consequências sociais resultantes desse fato são particularmente sensíveis no cinema, no qual a reprodução de uma obra de arte carrega consigo a possibilidade de uma radical mudança qualitativa na relação das massas com a arte."
"Benjamin considera ainda que a natureza vista pelos olhos difere da natureza vista pela câmara, e esta, ao substituir o espaço onde o homem age conscientemente por outro onde sua ação é inconsciente, possibilita a experiência do inconsciente visual, do mesmo modo que a prática psicanalítica possibilita a experiência do inconsciente instintivo. Exibindo, assim, a reciprocidade de ação entre a matéria e o homem, o cinema seria de grande valia para um pensamento materialista. Adaptado adequadamente ao proletariado que se prepararia para tomar o poder, o cinema tornar-se-ia, em consequência, portador de uma extraordinária esperança histórica."22

Como ainda não havia a TV, o cinema da primeira metade do século XX era um importante veículo de comunicação de massas. Filmes como "Tempos Modernos", "Metrópolis", "Alphaville" e "O Grande Ditador" permitem uma apreensão crítica do belo pelo homem moderno, o belo sendo, por exemplo, a apreensão subjetiva da realidade moderna dos frios centros urbanos, da indústria como criadora de autômatos, da crítica a ideologias como o nazismo e regimes ditatoriais. Num processo de re-estruturação receptiva, o espectador do cinema moderno aprende e se diverte simultaneamente, relaciona-se com o filme de uma maneira totalmente diferente da observada em outras artes (ritmo diferente, possibilidade de edição, interrupção e fragmentação).

Além disso, a subjetividade se dá não só pela recepção, mas também pela auto-exibição, isto é, a possibilidade de se realizar uma passagem (real ou virtual) da posição de receptor para a posição de ator, colocando-se (metaforicamente ou não) à frente das câmeras, num processo subjetivo de auto-reflexão. Eu ousaria extrapolar essa relação das massas com a técnica do cinema, contextualizando a relação das massas com a técnica das atuais redes sociais, viabilizadas pela internet. Somos receptores de uma quantidade de informação nunca antes imaginada, ao mesmo tempo que somos atores de um processo cada vez mais democrático e universal de percepção e mudança social, haja vista a Primavera Árabe (2010-2012) e as manifestações ocorridas nos últimos dias no Brasil (2013): a articulação via internet/redes sociais permite a deslocalização dos protestos, fazendo com que os mesmos ganhem perspectiva nacional e mesmo internacional.

Parte da segunda metade da aula foi dedicada à exibição do filme "Tempos Modernos" (1936), escrito e dirigido por Charles Chaplin. O filme mostra dilemas e paradigmas da modernidade, levando os espectadores - por meio da quebra de expectativa propiciada pelo riso - a um processo de reflexão/subjetivação da realidade objetiva moderna. O que é "belo" em "Tempos Modernos"? Para mim, o encontro subjetivo/kantiano da consciência consigo mesma, isto é, a auto-reflexão sobre o meu sistema valorativo, sobre meu comportamento, sobre minhas posições ideológicas face aos paradigmas da modernidade técnico-industrial/burguesa.




Aviso: Próxima aula, dia 26 de Junho, haverá PROVA! A matéria da prova, aparentemente, será a matéria da aula de hoje e a matéria da aula passada. Vou ver se consigo fazer um resumo de ambas e atualizar aqui. Talvez caia alguma coisa, alguma referência sobre os filmes que já assistimos até aqui - isso a professora não falou, é apenas um palpite meu. Mas, pelo jeito, não cai aquela parte de lógica/falácias, que vai valer 30% dessa primeira nota. A prova vai ser individual. Haverá uma segunda prova no final do mês de Julho.

Referências:
  1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Subjetividade
  2. http://pt.wikipedia.org/wiki/Percepção
  3. http://pt.wikipedia.org/wiki/Técnica
  4. http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_Contemporânea
  5. http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_Moderna
  6. http://pt.wikipedia.org/wiki/René_Descartes
  7. http://pt.wikipedia.org/wiki/Galileu_Galilei
  8. http://pt.wikipedia.org/wiki/Isaac_Newton
  9. http://pt.wikipedia.org/wiki/Albert_Einstein
  10. https://pt.wikipedia.org/wiki/Niels_Bohr
  11. http://pt.wikipedia.org/wiki/Raciocínio_indutivo
  12. http://pt.wikipedia.org/wiki/Francis_Bacon
  13. http://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Hobbes
  14. http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke
  15. https://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Jacques_Rousseau
  16. http://pt.wikipedia.org/wiki/Renascimento
  17. https://pt.wikipedia.org/wiki/Iluminismo
  18. http://pt.wikipedia.org/wiki/Georg_Wilhelm_Friedrich_Hegel
  19. http://pt.wikipedia.org/wiki/Estética
  20. http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_Gottlieb_Baumgarten
  21. http://www.inquietude.org/index.php/revista/article/view/177
  22. http://pt.wikipedia.org/wiki/Walter_Benjamin

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Filosofia - Aula #

Faltei essa aula... Alguém teria um resumo?

Pelo que sei, na primeira metade da aula, a professora comentou o texto "O discurso filosófico da modernidade", de Jürgen Habermas.

Na segunda metade da aula, ela teria exibido o documentário "Janela da Alma".




quinta-feira, 6 de junho de 2013

Filosofia - Aula #

Não houve aula, porque a professora está participando de um colóquio sobre Rousseau em Pirenópolis como organizadora do evento.

Para a próxima aula, ela pediu para lermos o texto do Habermas que está na copiadora da FAFIL.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Filosofia - Aula 4

A primeira parte da aula foi um fechamento da discussão sobre o filme "O Enigma de Kaspar Hauser". Foi exibida a parte final do filme e, em seguida, houve uma discussão sobre o mesmo.

O tema principal do filme seria o debate sobre o processo de aquisição de conhecimento ou espitemologia. Hauser ficara trancafiado até a idade adulta, praticamente sem interação social, o que protelou o desenvolvimento de sua linguagem falada/escrita, faculdades cognitivas, educação formal, cristã e musical. Trata-se de um contraponto às ideias de Descartes, por exemplo, uma vez que o processo de aquisição do conhecimento passa, no filme, pelo empirismo.

Haveria ainda uma defesa do bom selvagem, do homem em seu estado de natureza. A ideia é transmitida pela contraposição feita entre cenas de Kaspar sentindo-se bem no contato lúdico/empírico com a natureza e cenas em que uma exposição à intelectualidade secular/cristã e refinamento fazem-no sentir-se mal. Tal contraste parece encontrar seu clímax quando Hauser afirma ter sido mais feliz em seus anos de cativeiro do que quando entrou em contato com a sociedade. A base da infelicidade de Kaspar parece ter origem também em sua incapacidade de adquirir o conhecimento que lhe passou a ser imposto como válido/verdadeiro.

Foram ainda comentadas as duas histórias contadas por Hauser: a de seres humanos em procissão, subindo uma montanha em cujo topo encontrava-se a morte; e a de uma caravana guiada por um cego, o qual parece ver além/melhor do que aqueles considerados "normais" - numa referência à estranheza demonstrada pela sociedade com relação ao próprio Kaspar, evidenciada pela análise de seus órgãos internos, ao final do filme. Por ter sido privado da formação intelectual/social "normal", a exemplo do guia cego, Kaspar parecia ver além/melhor a natureza e o mundo ao seu redor do que a sociedade de sua época.


Como introdução à segunda parte da aula, a professora retomou o desafio de lógica posto a Kaspar (aldeia da verdade vs. aldeia da mentira), lendo uma história/lenda persa, a qual versava sobre o mesmo tema.

A segunda parte da aula foi expositiva, centrada no debate dos capítulos 2 e 3 do livro "Introdução à Lógica", de Irving M. Copi.

O capítulo 2, "Usos de Linguagem", inicia-se com a exposição de três funções da linguagem básicas:

  • Informativa: objetiva, referencial, podendo ser avaliada como verdadeira ou falsa, usada para transmitir informações - como, por exemplo, a linguagem jornalística;
  • Expressiva: criativa, geralmente ficcional ou metafórica, que não pode ser avaliada como verdadeira ou falsa - como, segundo exemplo citado pela professora, a autobiografia de Rousseau;
  • Diretiva: ordens, convencimento - como, por exemplo, a linguagem de um professor em sala de aula, pedindo para que os alunos fiquem em silêncio.

Essas 3 funções da linguagem corresponderiam, respectivamente, às funções "referencial", "emotiva ou expressiva" e "conativa ou apelativa" estudadas na aula de Língua Portuguesa do dia 29 de abril de 2013. Corresponderiam, ainda, à 3ª, 1ª e 2ª pessoas do discurso, respectivamente. O texto também ressalta a possibilidade de coexistirem, num mesmo ato comunicativo, uma ou mais funções de linguagem.

O capítulo 3, "Falácias Não-Formais", trabalha a temática das falácias, isto é, "argumentos ou raciocínios que, embora incorretos, podem ser psicologicamente persuasivos".

Por exemplo: para as premissas "Todo homem é mortal." e "Vinícius é homem.", uma conclusão lógica, admitindo-se que as premissas sejam verdadeiras, seria "Vinícius é mortal." Entretanto, mantendo-se as mesmas premissas, a afirmação "Vinícius toma coca-cola." é irrelevante e desconexa, sendo, portanto, uma falácia.

O texto classifica as falácias da seguinte maneira:

  1. Ad Baculum (recurso à força): quando apela-se à força ou ameaça. É o caso quando tropas militares suprimem uma manifestação, como o ocorrido na Praça da Paz Celestial em 1989. Também ocorre quando um patrão, mediante um pedido de aumento de seu funcionário, após lamentar não poder atendê-lo, mostra-lhe a fila de candidatos à espera de uma vaga na empresa. 
  2. Ad Hominem (ofensivo): quando, em vez de tentar refutar a verdade do que se afirma, ataca-se a pessoa que fez a afirmação. Por exemplo, pode-se imaginar o julgamento de um homem que tenha assassinado a própria esposa. A defesa deve apelar para o fato desse homem ter sido sempre um bom pai, enquanto a esposa, quando em vida, não dispensava cuidado suficiente aos filhos, além de viver uma vida de alcoolismo.
  3. Ad Hominem (circunstancial): quando as circunstâncias são usadas para justificar argumentos ou ações. É o caso dos generais nazistas julgados em Nuremberg, em agosto de 1945, os quais se julgavam como inocentes, mediante o argumento de que estavam apenas seguindo ordens superiores. Há também o exemplo do caçador que, quando moralmente censurado por sua prática, indaga ao seu opositor: "Porque se alimenta o senhor com carne de gado inocente?". Nesse caso, a falácia ad hominem sustenta-se na circunstância de o opositor não ser vegetariano.
  4. Ad Ignorantiam (argumento pela ignorância): quando não há provas para sustentar o argumento, como inicialmente alegaram os advogados de defesa do caso Eliza Samúdio. Na ausência do corpo da vítima, a defesa alegava ser impossível julgar-se a veracidade ou a falsidade da acusação.
  5. Ad Misericordiam (apelo à piedade): quando apela-se à piedade ou compaixão para que determinada conclusão seja aceita. É o caso do aluno que apela à professora a revisão de sua nota, uma vez que, na data da realização da prova, seu tio estava gravemente ferido no hospital. Também amplamente usada em campanhas de preservação do meio-ambiente, de redução de acidentes no trânsito ou contra a fome, as quais fazem uso de imagens impactantes (caça predatória, acidentes horríveis ou crianças esquálidas) para atingir seus propósitos. 
  6. Ad Populum: fusiona outros tipos de falácia, como a ad misericordiam ou a ad hominem, para apelar à "anuência a uma conclusão que não é sustentada por boas provas". É o caso dos discursos populistas, das imagens de políticos com as mangas arregaçadas, abraçando crianças, apoiando a causa feminista, entre outros apelos emocionais.
  7. Ad Verecundiam (apelo à autoridade): quando apela-se a uma "falsa" autoridade como legitimação do que se afirma, normalmente alguém famoso, respeitado publicamente. Falácia usada em algumas propagandas e campanhas políticas/conscientização, como a campanha contra a instalação da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, levada a cabo por artistas globais.
  8. Acidente: quando aplica-se uma regra geral a um caso particular, como em "O que comprei ontem, comerei hoje." Tal afirmação é uma regra geral para as compras, mas não se aplica à carne crua (que ainda deve passar por cozimento antes de ser ingerida) ou a outros itens, não-comestíveis, da compra.
  9. Acidente Convertido (generalização apressada): quando um ou mais casos particulares são usados na construção de uma regra geral. É o caso de Romeu, que, por pertencer à família Montecchio, é tido como inimigo da família Capuleto e, portanto, seria inadmissível aceitá-lo como pretendente de Julieta.
  10. Falsa Causa: quando determinado argumento é sustentado como consequência de uma falsa causa. É o caso das superstições do cotidiano. É também o caso da associação feita no passado entre a contração do vírus da AIDS e a liberdade sexual dos anos 1970, quando se argumentava que a primeira seria uma consequência direta da segunda.
  11. Petitio Principii (petição de princípio): quando a própria conclusão que se tenciona provar é usada como premissa, em um raciocínio circular. É o caso quando alguém afirma que "Machado de Assis é maior escritor que José de Alencar, porque as pessoas com bom gosto literário preferem Machado de Assis a José de Alencar." Quando se indaga o autor da afirmação sobre "Como definir as pessoas que têm bom gosto literário?", a falácia revela-se na resposta: "Aquelas que se identificam pelo fato de preferirem Machado a Alencar."
  12. Pergunta Complexa: quando há duas perguntas em uma só ou quando, implicitamente, assume-se parte da pergunta como algo já respondida, como em "Seus olhos sempre ficam vermelhos quando você fuma maconha?" ou "Você já deixou de bater em sua esposa?". No primeiro caso, a pergunta traz consigo a afirmação de que o interlocutor é um usuário de maconha. No segundo, afirma-se que, em algum momento, o marido tenha batido em sua esposa. Não se pode, portanto, responder a uma pergunta complexa com um simples "sim" ou "não" sem haver comprometimento do respondente com a afirmação que está nela implícita.
Aviso: Não haverá aula na próxima quinta-feira, pois a professora Carla Milani estará voltando de um congresso em Brasília. Ela pediu que esse tempo fosse aproveitado na resolução dos exercícios propostos no texto, apenas aqueles marcados com uma estrela. Esse trabalho deve ser feito, preferencialmente, em duplas. A nota desse trabalho comporá a nota final da disciplina.


Referências

  1. Capítulos 2 e 3 do livro "Introdução à Lógica", de Irving M. Copi.
  2. http://pt.wikipedia.org/wiki/Protesto_na_Praça_da_Paz_Celestial_em_1989
  3. http://pt.wikipedia.org/wiki/Julgamentos_de_Nuremberg
  4. http://pt.wikipedia.org/wiki/Romeu_e_Julieta
  5. http://pt.wikipedia.org/wiki/Síndrome_da_imunodeficiência_adquirida
  6. http://pt.wikipedia.org/wiki/Epistemologia
  7. http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrelétrica_de_Belo_Monte

quinta-feira, 25 de abril de 2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Filosofia - Aula 2

Na primeira parte da aula, foi debatido o texto "O homem cordial", de Sérgio Buarque de Holanda.

Na segunda parte da aula, foi exibido o filme "Zelig" (1983), dirigido e protagonizado por Woody Allen.


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Filosofia - Aula 1

Apresentação da disciplina e exibição do filme "Sócrates" (1971).